quilo cinzento.
Desenrolou-o e o estudou.
- Estou vendo. Desenha bem, senhor. Sim, isto deve
funcionar. Deveria ter pensado nisto.
- Para mim é mais fácil, Meistre. Não é muito
diferente das minhas selas.
- Serei mesmo capaz de montar? - perguntou Bran,
Queria acreditar neles, mas tinha medo. Talvez fosse
apenas mais uma mentira. O corvo prometera-lhe
que poderia voar.
- Será - disse-lhe o anão. - E juro, meu rapaz, sobre o
dorso de um cavalo, será tão alto como qualquer
deles.
Robb Stark pareceu confuso.
- Isto é alguma armadilha, Lannister? O que Bran
representa para você? Por que quer ajudá-lo?
- Seu irmão Jon me pediu. E tenho um ponto fraco
no coração por aleijados, bastardos e coisas
quebradas - Tyrion Lannister pôs a mão sobre o
coração e mostrou os dentes.
A porta que dava para o pátio foi escancarada. A luz
do sol jorrou pelo salão no momento em que Rickon
entrou de repente, sem fôlego. Os lobos gigantes
vinham com ele. O rapaz parou na porta, de olhos
muito abertos, mas os lobos entraram. Seus olhos
encontraram Lannister, ou talvez tivessem farejado
seu odor. Verão foi o primeiro a começar a rosnar.
Vento Cinzento juntou-se a ele. Aproximaram-se do
homenzinho, um pela direita, o outro pela esquerda.
- Os lobos não apreciam seu cheiro, Lannister -
comentou Theon Greyjoy.
- Talvez seja hora de me retirar - disse Tyrion. Deu
um passo para trás... e Cão Felpudo saiu das
sombras atrás dele, rosnando. Lannister recuou, e
Verão precipitou-se sobre ele, vindo do outro lado.
Cambaleou para longe, sobre pernas instáveis, e
Vento Cinzento atacou-lhe o braço, rasgando-lhe a
manga com os dentes e arrancando um pedaço de
pano.
- Não! - gritou Bran do cadeirão ao mesmo tempo em
que os homens de Lannister agarraram as armas. -
Verão, aqui. Verão, venha!
O lobo gigante ouviu a voz, deu uma olhadela em
Bran, e de novo em Lannister. Rastejou para trás,
para longe do homenzinho, e sentou-se sob os pés
oscilantes de Bran.
Robb prendera a respiração. Largou-a num suspiro e
chamou: "Vento Cinzento". Seu lobo gigante moveu-
se em sua direção, rápido e silencioso.
Agora restava apenas Cão Felpudo rugindo ao
pequeno homem, com os olhos ardendo como fogo
verde.
- Rickon, chame-o - gritou Bran para o irmão mais
novo, e Rickon, como que acordando, gritou:
- Para casa, Felpudo, anda, para casa - o lobo negro
dirigiu a Lannister um último rosnado e saltou para
Rickon, que lhe deu um abraço apertado em torno do
pescoço.
Tyrion Lannister desenrolou o cachecol, limpou com
ele a testa e disse em voz monocórdia:
- Que interessante.
- Está bem, senhor? - perguntou um de seus homens,
de espada na mão. Olhava nervosamente os lobos
gigantes enquanto falava.
- Tenho a manga rasgada e os calções úmidos por
motivos inconfessáveis, mas nada foi ferido, além da
minha dignidade.
Até Robb parecia abalado.
- Os lobos... não sei por que fizeram isso.
- Não há dúvida de que me confundiram com o jantar
- Lannister fez uma reverência rígida a Bran. -
Agradeço-lhe por tê-los chamado, meu jovem.
Garanto-lhe que me teriam achado bastante
indigesto. E agora, realmente, retiro-me.
- Um momento, senhor - disse Meistre Luwin.
Aproximou-se de Robb e os dois conferenciaram
muito, aos sussurros. Bran tentou ouvir o que
diziam, mas suas vozes eram baixas demais.
Robb Stark finalmente embainhou a espada:
- Eu... eu posso ter me precipitado com o senhor. Foi
bondoso com Bran e, bem... - Robb reconciliava-se
com esforço. - Ofereço-lhe a hospitalidade de
Winterfell se assim desejar, Lannister,
- Poupe-me de sua falsa cortesia, rapaz. Não gosta de
mim e não me quer aqui. Vi uma estalagem fora das
suas muralhas, na vila de inverno. Encontrarei ali
uma cama e ambos dormiremos mais facilmente. Por
alguns cobres até talvez encontre uma mulher
agradável que me aqueça os lençóis - virou-se para
um dos irmãos negros, um homem idoso com a
coluna torcida e a barba emaranhada. - Yoren,
seguimos para o sul ao nascer do dia. Encontre-me
na estrada - e retirou-se, atravessando o salão com
dificuldade sobre as curtas pernas, passando por
Rickon e pela porta. Seus homens o seguiram.
Os quatro da Patrulha da Noite ficaram. Robb
virou-se para eles aparentando incerteza.
- Mandei preparar aposentos, e não lhes faltará água
quente para lavar a poeira da estrada. Espero que
nos honrem com sua presença à mesa esta noite -
Robb disse aquelas palavras de forma tão desastrada
que até Bran notou; era um discurso que tinha
aprendido, não palavras que lhe viessem do coração,
mas os irmãos negros agradeceram-lhe da mesma
forma.
Verão seguiu pelos degraus da torre quando Hodor
levou Bran de volta para sua cama. A Velha Ama
tinha adormecido na cadeira. Hodor disse"Hodor",
recolheu a bisavó e a levou, ressonando baixinho,
deixando Bran com seus pensamentos. Robb lhe
prometera que poderia participar do festim com a
Patrulha da Noite no Salão Grande.
- Verão - ele chamou. O lobo saltou para junto da
cama. Bran o abraçou com tanta força que sentiu o
hálito quente do animal na bochecha. - Agora pos